Liderança feminina

Assumir uma postura confiante, mesmo com receio e uma autocrítica ferrenha a respeito do que você conhece ou desconhece, é importante para criar oportunidades

Apesar de alguns avanços no sentido de uma sociedade mais igualitária, a mulher ainda enfrenta muitas dificuldades para conquistar boas oportunidades e posições de liderança no mercado de trabalho, além de salários compatíveis aos dos homens. 

A sociedade não estimula a ambição profissional feminina e chega a encará-la até de forma negativa. “Faz muito tempo que a cultura popular retrata as profissionais bem-sucedidas como mulheres tão consumidas pela carreira que não têm vida pessoal (pense em Sigourney Weaver em Uma secretária de futuro e Sandra Bullock em A proposta)”, ressalta Sheryl Sandberg, a mais alta executiva do Facebook, em seu livro Faça Acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar. 

Estereótipos criados ao longo dos anos, como a ideia de que é mais importante conseguir um bom casamento do que garantir uma carreira de sucesso ou, ainda, que a mulher só é feliz com a maternidade continuam sendo bastante incentivados por ambos os sexos. Somado a isso, o sentimento de insegurança também mina as chances que essas profissionais extremamente comprometidas, flexíveis e com talentos para enxergar as pessoas e as situações com uma visão sist��mica (fazendo a relação de todas as partes, campos, acontecimentos e características que interfeririam ou influenciariam determinado comportamento ou circunstância) poderiam ter se fossem mais ousadas.

De acordo com uma pesquisa mundial sobre o mercado de trabalho feminino feita pela empresa de tecnologia HP e divulgada pelo portal Exame, as mulheres precisam ter certeza de que têm 100% das atribuições exigidas quando pensam em se candidatar a uma promoção, caso contrário, elas não cogitam almejar o cargo. Diferente dos homens, que se acreditam ter, pelo menos, 60% das competências, candidatam-se ao cargo.

Sheryl Sandberg exemplifica com perfeição a pesquisa citada acima. No tempo em que atuou no Google, isto é, por mais de seis anos, ela contratou uma equipe de quatro mil funcionários e conta que percebeu que quando anunciava a inauguração de um escritório ou projeto, os homens de sua equipe corriam para pedir a oportunidade de liderar a ação. Enquanto as mulheres precisam ser convencidas a aceitar promoções ou trabalhos em outras áreas. A executiva ressalta: “Poucos gerentes têm tempo de avaliar cuidadosamente todos os candidatos a um emprego, e muito menos de convencer gente mais reticente a se candidatar”, escreve.

Mesmo com seu sucesso profissional em grandes corporações, Sheryl Sandberg comenta que em vários momentos de sua carreira sentiu-se insegura diante de equipes, pares e superiores e indica “sentir ser confiante – ou fingir ser confiante – é necessário para aproveitar as oportunidades”. Por “fingir”, entende-se levantar a cabeça e arriscar; assumir uma postura firme, ignorando a distorção de que você não está preparada, quando na verdade sabe que está.

Assim, assumir uma postura confiante, mesmo com receio e uma autocrítica ferrenha a respeito do que você conhece ou desconhece, é importante para criar oportunidades. Não é preciso agir ou trabalhar feito um homem, ignorar diferenças existentes, mas posicionar-se (sabemos que é difícil, mas vai continuar se inibir-se diante de caras feias e piadinhas) e trabalhar duro por seus objetivos.

Referência: Faça Acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar, de Sheryl Sandberg

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